Gabarito comentado da Prova 14 Bis – UnB 2010.

Segue abaixo os gabaritos de geografia da UnB 2010 (por questões óbvias, deu-se prioridade aos itens errados). Todos os comentários e fundamentação teórica da explicação dos itens foram escritos pelo prof. Marcos Brandão.

ERRADO – Na região Centro-Oeste brasileira as atividades agrícolas apresentam elevado grau de modernidade, e não baixo nível tecnológico como escrito no item. O mapa que segue certifica tal modernização ao analisarmos a mancha de modernização na cor azul que espraia-se por boa parte do Centro-Oeste.

Fonte: HERVÉ, Théry; MELO, Neli Aparecida de. Atlas do Brasil: disparidades e dinâmicas do território. 2.ed. São Paulo: EDUSP, 2008, p. 122. (clique na imagem para vê-la em tamanho maior).

ERRADO – Atualmente os fluxos migratórios inter-regionais brasileiros ocorrem tanto das regiões de maior desenvolvimento social e econômico para as de menor desenvolvimento social e econômico como por exemplo: da região Sudeste para o Nordeste, quanto das regiões de menor desenvolvimento social e econômico para as regiões de maior desenvolvimento social e econômico. Essa afirmativa é certificada no texto “Novos destinos para os migrantes” da revista Guia do Estudante. Atualidades Vestibular. 2009, p. 160-163. O distrator do item está na afirmação de que o fluxo migratório é exclusivo para as regiões de maior desenvolvimento social e econômico, o que não é verdade.

(clique no item para uma maior vizualização dos caracteres)

ERRADO – Dos principais tecnopolos do Brasil, apenas o Rio de Janeiro/RJ e Florianópolis/SC são capitais litorâneas, outros tecnopolos que também são capitais não se encontram no litoral como Curitiba/PR e São Paulo/SP; outros ainda continuam sendo importantes, mas não estão no litoral, e nem são capitais como no caso de Campinas/SP, Campina Grande/PB e São José dos Campos/SP (ADAS, Melhem. Panorama geográfico do Brasil. 4ed. São Paulo: Moderna, 2004, p. 82). No final do item é colocada a posição relevante no mercado internacional de altatecnologia, contestada pelo geógrafo e professor da USP Francisco Cupuano Scarlato (2005, p. 337) quando afirma que “podemos deduzir os sérios obstáculos que o Brasil enfrenta para se desenvolver. Ultimamente, vêm ocorrendoinvestimentos muito baixos na produção de ciência e tecnologia, o que coloca o Brasil em posição desvantajosa com relação aos países subdesenvolvidos […] Estamos longe, ainda, de possuir o domínio da tecnologia da informática e da comunicação por satélites” (SCARLATO, Francisco Capuano. O espaço industrial brasileiro. In: ROSS, Jurandyr L. Sanches. Geografia do Brasil. 5.ed. rev. e ampl. São Paulo: EDUSP, 2005).

(clique no item para uma maior vizualização dos caracteres)

ERRADO – A atividade agropecuária na região Centro-Oeste não é incipiente e o bioma Cerrado está sofrendo intensa degradação (vide mapa que segue) devido à expansão dessa atividade econômica que conforme o Guia do Estudante (2009) “a terra passou a ser castigada pela monocultura intensiva de grãos, que ocupa 6% do bioma, e pela pecuária, praticada em 60% da área, muitas vezes de maneira extensiva e com baixa tecnologia. O uso indiscriminado de defensivos agrícolas aumentou a degradação […] entre as novas ameaças estão as plantações de cana-de-açúcar para produção de biocombustível, que avançam sobre os menos de 40% da região que ainda mantém a cobertura original. Se as taxas de desmatamento continuarem no atual ritmo, o cerrado poderá desaparecer em 2030” (Guia do Estudante. Atualidades Vestibular. São Paulo: Editora Abril, 2009, p. 146-149).

Fonte: http://www.ecodebate.com.br/foto/cerrado10.jpg acesso em 13 fev 2010. (clique na imagem para vê-la em tamanho maior).

(Clique na tabela para uma melhor visualização)

Item 88 – ERRADO – Conforme a tabela mostrada há a ocorrência do crescimento da malha ferroviária, porém não existe a ratificação da primazia dessa modalidade desse transporte de carga no Brasil. A primazia é rodoviária conforme nos dá indicação o texto de Santos e Silveira (2005, p. 179, 180) quando escrevem que “elemento fundamental na disputa entre transporte ferroviário e rodoviário, a frota de caminhões cresceu [1.570.286 unidades em 1994] […] responsável por 320 milhões de toneladas, a Região Concentrada [leia-se Sudeste] significa 91,5% do total nacional” (SANTOS, Milton; SILVEIRA, Maria Laura. O Brasil: território e sociedade no início do século XXI. 5ed. São Paulo: Record, 2005, tópicos 2 e 3).

Item 89 – ERRADO – As políticas desenvolvimentistas da América nos anos 1950 foram voltadas para o espaço interno e não contribuíram para a consolidação das relações comerciais entre os países-membros de blocos-regionais. Conforme a Dra Janina Onuki, professora de Relações Internacionais da Unesp, “o fortalecimento do Mercosul tornou-se patente desde o momento em que outros países, como Chile, Bolívia e Venezuela (e também da assinatura do acordo quadro com a União Europeia, em 1995), mostraram-se interessados em intensificar os acordos que permitiram maior proximidade do bloco – inicialmente como membros associados – e posterior ingresso no projeto integracionista. Sem dúvida, esses fatos deram maior credibilidade ao Mercosul e consolidaram o discurso diplomático brasileiro que o defendia como fonte primária para a ampliação da credibilidade da sua plataforma de política externa” (ONUKI, Janina. O Brasil e a construção do Mercosul. In: ALTEMANI, Henrique; LESSA, Antônio Carlos (orgs). Relações internacionais do Brasil: temas e agendas. Vol 1. São Paulo: Saraiva, 2006, p. 308, 309).

Item 93 – Anulado.

94 Com o atual deslocamento do corredor de exportações de minério – da região Norte para a região Sudeste -, a empresa Estatal Companhia Vale do Rio Doce que lidera o setor siderúrgico no Brasil, vem promovendo a integração do país ao mercado internacional.

Item 94 – ERRADOA Companhia Vale do Rio Doce não é mais uma empresa estatal. Conforme o site oficial da empresa, “em 1997, tornou-se uma empresa privada. Hoje somos uma empresa global, atuando nos cinco continentes, e contamos com a força e o valor de mais de 100 mil empregados, entre próprios e terceirizados, que trabalham de forma apaixonada para transformar recursos minerais em riqueza e desenvolvimento sustentável” (http://www.vale.com/vale/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=10).

Item 98 – CERTO – A urbanização alterou o panorama socioeconômico no início do século XX, quando o Brasil torna-se cada vez mais urbano. Todos os detalhes são descritos no livo de SANTOS, Milton. A urbanização brasileira. 5ed. São Paulo: EDUSP, 2008.

Item 100 – ERRADOSão Paulo continua sendo a principal metrópole nacional, pois conforme Santos e Silveira (2005, p. 109), “em 1996, 263 (52,3%) das quinhentas maiores empresas privadas do Brasil localizavam suas sedes em São Paulo…” (SANTOS, Milton; SILVEIRA, Maria Laura. O Brasil: território e sociedade no início do século XXI. 5ed. São Paulo: Record, 2005). Théry e Melo (2008, p. 146) afirmam que “A imagem geral [vide os dois mapas que
seguem] mostra uma verdadeira hegemonia: 55% das empresas industriais (61% do PIB industrial) estão localizadas na região Sudeste, das quais mais de 40% em um único Estado, São Paulo” (HERVÉ, Théry; MELO, Neli Aparecida de. Atlas do Brasil: disparidades e dinâmicas do território. 2.ed. São Paulo: EDUSP, 2008).

Fonte: HERVÉ, Théry; MELO, Neli Aparecida de. Atlas do Brasil: disparidades e
dinâmicas do território. 2.ed. São Paulo: EDUSP, 2008, p. 147.

Fonte: HERVÉ, Théry; MELO, Neli Aparecida de. Atlas do Brasil: disparidades e
dinâmicas do território. 2.ed. São Paulo: EDUSP, 2008, p. 157.

Item 101 – ERRADONo período inicial da urbanização brasileira que foi acompanhado pelo povoamento e territorialização no século XIX e início do XX (ANDRADE, Manuel Correia. A federação brasileira: uma análise geopolítica e geo-social. São Paulo: Conexto, 2003, p. 36-38), já nesse período foram construídas estradas de ferro que partiam das capitais para o interior, aconteceu a ocupação intensa da Amazônia através da migração de nordestinos, além do algodão e café que provocaram uma grande migração para o Sudeste e Sul do país (oeste paulista e norte paranaense). Portanto ocorriam fluxos migratórios de longo percurso (inter-regional), principalmente da região nordeste para outras regiões desde tempos mais remotos da urbanização brasileira que continuou durante a industrialização em meados do século XX, como nos mostra o mapa que segue.

Fluxos migratórios do Brasil nas décadas de 1950 e 1960. Fonte:
http://www.frigoletto.com.br/Ufal2000/ufal2000.htm acesso em 19 dez de 2009.

Item 102ERRADONão ocorreu democratização dos meios de transporte no continente africano e verificam-se na atualidade movimentos populacionais de refugiados através de grandes caminhadas para países vizinhos em regiões de conflitos (caso de Angola e antigo Zaire, hoje República Democrática do Congo) como escrito na matéria “Riqueza e tragédia” no Guia do Estudante. Atualidades vestibular. Editora Abril, 2010, p. 99 e publicada nesse blog no endereço https://marcosbau.wordpress.com/continente-africano/

Item 103 – CERTO – O primeiro censo oficial que identificou predominância urbana no Brasil data de 1970, Confirma-se a migração para os centros urbanos desde as décadas de 1950 e 1960 como nos mostra o gráfico do IBGE que segue, mas note que a acentuação da migração é certificada na curva ascendente do gráfico a partir da década de 1970.

Fonte: IBGE, Anuário Estatístico do Brasil, 1998. IBGE . Censo Demográfico, Brasil 2000. Rio de Janeiro: CCDI. 2001.

Item 104 – ERRADO – A melhoria do transporte contribuiu para intensificar o fluxo populacional internacional, e não a sua diminuição como depreende o item.






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